Tão, Dão e Tião
Tão é um sujeito tão enigmático que não se pode defini-lo com tão poucas palavras. Tão logo amanhece o domingo, Tão sai à procura de sua tão necessária cachaça vespertina, tão sóbrio que nem cumprimenta os transeuntes. Estes, de tão preocupados em ir a primeira missa do dia, não percebem a existência involuntária de Tão. Tão é tão imperceptível quanto um cão numa Festa de São João. Já a Festa de São João é tão imperceptível para Tão quanto para um cão. E o cão, esse nunca compreendeu as idéias de Tão e o significado da Festa de São João, talvez por serem os cães um tanto quanto céticos e indiferentes ao espírito cristão.
Entrando no boteco do Tião, Tão encontra o Dão que irá pagar-lhe uma pinga, teoricamente, por ser tão caridoso e solícito. Poderíamos até dizer que, então, Tão, Dão e Tião se dão muito bem. Ledo engano: Tião odeia o Tão, mas atende o Dão porque este paga a pinga do Tão que não gasta nenhum tostão. Já o Dão paga a pinga do Tão só para enfurnar o Tião, que aceita o meio tostão por ser demasiado avarento

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