Viagens de ônibus
Não quero pegar carona nos recentes e contínuos desastres aéreos, nem quero aqui fazer apologia ao transporte público ou ao transporte rodoviário especificamente. Mas como sou um não-motorista convicto e até então irrecuperável, vou fazer algumas considerações sobre as viagens de ônibus:
- Extremamente confortável do ponto de vista filosófico-intelectual pois enquanto o motorista guia o veículo automotor sua pessoa pode praticar o ato de meditação, especulação, ibernação, elocubração;
- Para aqueles que não enjofram durante a viagem um bom livro (ou ruim, tanto faz) pode ser lido a uma taxa de 20 páginas/km/hora (segundo pesquisa da Universidade Holística Pentecostal de Quixeramobim);
- A convivência com tantas pessoas num espaço tão exíguo permite à Vossa Excelência exercitar o poder de análise dos indivíduos ali presentes. Geralmente este recurso é utilizado após o uso do item 1 por 1,5 minutos ou após leitura de dois parágrafos do "O Alquimista". A cifra de 2.000 horas/ônibus corresponde à leitura de 78,3% da obra de Freud, o Godoy;
- Após as 2.000 horas/ônibus você automaticamente está apto a exercer a função de psicanalista, ouvindo aquela pirua classe média/alta que se desculpa por estar naquele ônibus, fazendo um inventário minuncioso de suas posses e qualidades socio-intelectuais;
- Você tem a possibilidade de passar por um momento de revelação na sua vida. Muito maior do que a "Reunião dos Empresários com os 318 Pastores". Você pode ser tornar um budista quando ao seu lado estiver um gordo bêbado roncando logo nos primeiros 10 minutos da viagem de quatro horas. Durante a madrugada, é claro;
- Na mesma viagem você terá a chance de realizar um teste de performance em sua coluna cervical. Uma delícia.

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