segunda-feira, setembro 28, 2015

Manifestações

Uma mega manifestação de oito cidadãos paulacandidenses causou transtornos ao já conturbado trânsito de nossa cidade ontem à noite. TODOS os dois botecos da cidade fecharam as portas por medida de segurança. Xexéu da Garapa fez um discurso inflamado lembrando a natureza corrupta do ser humano desde a mesopotâmia até os índios botocudos da zona da mata mineira. Gaguinho, o mudo, discursou alucinadamente, prometendo revelações etilico-sexuais envolvendo a elite local com o coveiro Pedro Barbino. O velho Zuza, transtornado de cachaça, andava nú, a ermo, pregando o fim do pmdb...

Hoje pela manhã todo o destacamento militar, formado unicamente pelo soldado Reginaldo, fez o rescaldo do vandalismo da noite passada. O busto do professor emérito Juvêncio Eleutério, o Jujuca, foi coroado com uma diminuta calcinha com detalhes em renda francesa. Após a primeira cachaça matutina véio Zuza afirmou categórico, no boteco do Nando, se tratar de uma peça íntima feminina estilo rococó do seculo xviii, possivelmente depositada ali durante a madrugada por alguma freira comunista num ataque de lucidez insana. O prefeito Toninho Bacalhau, atônito, diz que trabalhará nos moldes do seu colega de mandato eletivo Barack, o Obama, para descobrir o (a) responsável pelo protesto político-sensual.Antes do almoço Toninho Bacalhau já foi visto atrás de uma moita na praça central, tentando decifrar e anotar num bloco de notas o que Gaguinho, o mudo, agora também rouco, tentava explicar para Bené Paciência sobre os acontecimentos da movimentada noite anterior.

Agora à tarde foi presa em fragrante dona Quiquinha Bico Doce, 75, professora de educação artística aposentada, moradora da rua de cima, enquanto caminhava tranquilamente pela rua de baixo. Reginaldo apenas informou ser ela a única pessoa na cidade capaz de ter alguma relação estético-estilística com a calcinha rococó. Disse em tom professoral: "Caso encerrado. Eventos estratosféricos exigem atitudes nevráugicas". Enquanto era conduzida algemada dona Quiquinha tentava roubar um beijo de língua, quase de garganta, de Reginaldo que se desvencilhava na medida do possível.