quinta-feira, setembro 22, 2005

Zoca III

Chegando de viagem encontrei-me com o Zoca. Estava abatido. Talvez pela ressaca de sábado, pela atual conjuntura política do país ou por pura frescura mesmo. Perguntado por onde andava, disse que havia feito uma longa viagem a trabalho, passando por Belém e Salvador. Aproveitei para exaltar as belezas e o desenvolvimento da região e defender que o Brasil continua com um grande potencial e que ainda sentia um resto de esperança de ver esse mafuá chamado Brasil se ajeitar. Foi aí que o Zoca surtou: “Tá doido! Agora diz que esteve em Belém com Jesus Cristo, o Salvador e que ele disse que o Brasil vai pra frente... Que cachaça cê anda tomando? Pare de beber seu puáia (antiga referência a meninos arteiros)...”
O Zoca saiu transtornado do boteco, olhando para mim com aquele ar preocupado, característico de irmão mais velho que se assusta com o futuro do mais novo.
Fiquei tão assustado com aquele olhar de reprovação que passei a acreditar que eu estava mais doido que o Zoca...